MEDITANDO NO TRABALHO MISSIONARIO

Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Isaías 6:8

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

ALIVIANDO A FOME TEOLÓGICA NA ÁFRICA

disponivel em http://www.blogfiel.com.br/2013/01/aliviando-a-fome-teologica-na-africa.html#more-5877
por Vinícius Musselman Pimentel
Entrei recentemente para o time do ministério Fiel e estou cada vez mais surpreso com o empenho dessa equipe, não só em fazer um bom trabalho, mas sobretudo em apoiar a igreja de Deus, como afirma nossa missão. A Fiel não quer só publicar um livro e disponibilizá-lo apenas para quem tem dinheiro para comprar. Almejamos mais. Novamente, queremos apoiar a igreja de Cristo.
 Como fruto desse desejo de ver igrejas saudáveis, a Editora Fiel firmou uma parceria com o ministério 9 Marks (9 Marcas) e o The Gospel Coalition International Outreach (Alcance Internacional da Coalizão pelo Evangelho), com o propósito de aliviar a fome teológica na África. Cremos que a palavra de Deus é a verdade, independente da cultura, e, por isso, queremos enviar 300 kits para os seminários, as escolas bíblicas e as igrejas nos países lusófonos da África. O kit contém:
Eu desenvolvi esse guia de estudo e, por isso, estive em contato profundo com todo o curso e com o conteúdo das Nove Marcas. Estou convencido da sua importância tanto para as igrejas na África como no Brasil. Acredito ser uma mensagem muito importante, principalmente para esta geração que sabe tão pouco sobre o que Cristo deseja para a sua Igreja.

A situação nos países de fala portuguesa na África

 O Catolicismo Romano chegou na era colonial na África e rapidamente se misturou com as tradicionais religiões animistas africanas. Esse sincretismo e ecumenismo são muito comuns e põem em risco a visão bíblica do Evangelho e da verdadeira igreja de Cristo.
A Igreja no continente africano está crescendo significativamente em número, contudo a maioria dos líderes tem pouco ou nenhum treinamento formal. Ansiando crescer numericamente, muitos abandonaram a Palavra de Deus como o guia que nos ensina em como edificar a igreja de Deus.
Houve pouquíssimo investimento na formação de líderes sadios e o treinamento informal é o mais comum. Portanto, há poucos homens preparados para ensinar a verdade bíblica de forma saudável. Este recurso ajudará a atender a essa necessidade e a trazer um treinamento que, de outra forma, estaria indisponível.
Abaixo, segue o vídeo que está disponível no site to The Gospel Coalition sobre o projeto:

Com sua ajuda vamos mais longe

 Há tanto que queremos fazer e com sua ajuda conseguimos ir mais longe. Como eu oro para que este projeto ajude a transformar aqueles pastores e seus respectivos países! Junte-se conosco em oração e considere também doar. Com uma oferta de US$ 33,00, conseguimos enviar um kit completo.
Como o projeto está sendo gerenciado pelo TGC, os depósitos têm que ser feitos com cartão de crédito internacional. Sei dessa dificuldade. Se você quer ajudar, mas não tem essa opção, considere ajudar o programa Adote um Pastor. Conheça abaixo.

Programa Adote um Pastor

Adote um Pastor é um ministério cristão, cuja missão é tornar vidas e igrejas saudáveis através da capacitação ministerial de pastores em países de fala portuguesa ao redor do mundo. Para isso, promove o acesso à literatura fundamentada em sã doutrina, a fim de que pessoas e igrejas possam crescer e se firmar no conhecimento genuíno das Escrituras.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

JESUS ENTROU NO SEU CORAÇÃO?


*Por Pr. Alexandre “Sacha” Mendes

“Jesus entrou no meu coração” e “Jesus limpou meu coração” são ideias comuns nas canções infantis evangélicas de hoje. Os adultos ensinam e as crianças cantam. Mas você já parou para pensar no que está por trás de frases assim? Em um mundo que se distancia cada vez mais de tudo o que a Palavra de Deus ensina, a apresentação do Evangelho ficou resumida a um conjunto de sentimentos momentâneos de uma rasa religiosidade Ocidenal. Entre outras coisas, falta estudo da Bíblia para compreender a natureza do coração humano. O resultado é gente convidando Jesus para entrar em um “lugar” desconhecido, para limpar uma suposta parte do corpo de significado místico. São pessoas que deixaram as canções de crianças, mas ainda vivem uma teologia infantil.

O coração é o centro de controle do Homem, de onde “depende toda a sua vida” (Pv 4.23). É lá que residem os pensamentos, intenções, crenças, desejos e atitudes. Esse centro do controle do homem também é chamado de mente, alma e espírito no Novo Testamento. De uma certa forma, são todos termos sinônimos, ou melhor, intercambiáveis (Ef 3.16, 17). Então, o coração faz referência ao homem interior como um todo. Tudo o que não pertence à composição física do homem faz parte do centro de controle, que é o homem interior (Mt 13.15).


Uma análise de diversas passagens bíblicas aponta o coração como centro de controle em três áreas principais: intelecto, afeição e vontade. Primariamente, o coração refere-se ao intelecto, que inclui pensamentos, crenças, lembranças, juízos, consciência e discernimento  (1 Rs 3.12; Mt 13.15; Mc 2.6; Lc 24.38; Rm 1.21; 1 Tm 1.5). Outra parte do centro de controle do homem é composta pelas afeições: os sentimentos ou emoções  (Dt 28.47; 1 Sm 1.8; Sl 20.4; 73.7; Ec 7.9; 11.9; Is 35.4; Tg 3.14;). A terceira área do coração é a vontade. A vontade é o aspecto da parte da pessoa interior que escolhe ou determina ações (Dt 23.15-16; 30.19; Js 24.15; Sl 25.12).

Porém, essas três características do coração não devem ser encaradas como entidades distintas e isoladas. O homem interior não pode ser entendido isolando suas divisões funcionais, mas na sua unidade de essência. Intelecto, afeição e vontade trabalham em cooperação mútua e não existem isoladamente. O coração é como um diamante com facetas distintas, chamadas de intelecto, afeição e vontade. Porém, todas fazem parte da mesma preciosidade: o coração. Portanto, a dinâmica do centro de controle humano envolve o pensamento como orientador do juízo de valores, que alimenta o desejo. Por sua vez, o desejo é resultado do direcionamento da vontade. E a rede de valores e desejos alimentam as afeições, que influenciam nas decisões. Essa é uma dinâmica tão difícil de descrever quanto de separar suas partes. Cada uma delas desempenha um papel importante na influência das demais.

Então, tudo o que é estudado com relação às diversas áreas da vida deve ser aplicado ao nível do coração, pois ele representa quem o homem verdadeiramente é (Pv 27.19). Meras mudanças comportamentais não irão promover transformação genuína na vida de ninguém. A transformação que agrada a Deus deve acontecer no nível do coração, é lá que está o real problema (2 Co 3.15) e o centro de controle de todo o homem. Somente um coração transformado pela graça de Cristo pode cumprir o propósito original da criação (2 Co 4.6).

A implicação dessa definição é que todo e qualquer problema do Homem está relacionado ao coração. Quem você irá amar mais: Deus ou a si mesmo? Somente o Espírito Santo, através da Palavra de Deus, pode revelar a verdade por trás de decisões tomadas no coração humano (Hb 4.12). Então, “Jesus entrou no seu coração”? “Jesus limpa seu coração”? Em outras palavras, quem está no comando? Jesus é Senhor sobre seus pensamentos, seus desejos e suas afeições? O Senhor Jesus está limpando seu coração num processo de renovação de sua mente? Sua vontade está direcionada para agradar a Deus? Suas emoções são despertadas pelo que é puro, santo, agradável, verdadeiro? Em outras palavras, santificação progressiva é uma realidade no nível de seu intelecto, vontade e emoção ou apenas uma doutrina de velhos e ultrapassados teólogos?

*Alexandre Mendes é conhecido como “Sacha” desde que se conhece como gente. Nascido em Belo Horizonte, cresceu em São Paulo capital e Atibaia. Sacha é formado em Economia pela Universidade São Paulo, Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida, mestre em Aconselhamento Bíblico – M.A. – pelo The Master’s College (Santa Clarita, CA, EUA) e mestrado em Divindade – M. Div. – pelo Faith Bible Seminary (Lafayette, IN, EUA). É casado com a Ana desde junho de 2007 e pai do Pedro desde julho de 2009. Atualmente Sacha serve como pastor na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ADOÇÃO


Diz o capítulo 12 da CFB 1689, em seu primeiro tópico, sobre adoção:

“Em seu único Filho, Jesus Cristo, e, por causa dEle, Deus é servido fazer participantes da graça da adoção todos quantos são justificados. Por essa graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus, e desfrutam das liberdades e privilégios dessa condição; recebem sobre si o nome de Deus; recebem o espírito de adoção; têm acesso com ousadia ao trono de graça, e clamam Aba, Pai; recebem compaixão, proteção, e a provisão de suas necessidades. E são castigados por Deus, como por um pai; porém, jamais são lançados fora, pois estão selados para o dia da redenção. E herdam as promessas, na qualidade de herdeiros da salvação eterna.”

A Bíblia de estudo de Genebra comenta sobre a adoção, baseada em GL 4:5, o texto abaixo.

Gálatas 4:5: “Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.

O dom da justificação, isto é, a presente aceitação por Deus, o Juiz do mundo, é acompanhada pelo dom da adoção, isto é, o dom de a pessoa poder tornar-se filho do Pai Celestial (Gl 3.26;4,4-7). No mundo de Paulo, a adoção se fazia comumente de jovens adultos, homens, de bom caráter, que se tornavam herdeiros e mantinham o nome da família de pessoas ricas que, de outro modo, não teriam filhos. Paulo, contundo, proclama a adoção graciosa de Deus, que adota indivíduos de mau caráter, para se tornarem herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17). A justificação é a benção básica sobre a qual se fundamenta a adoção; a adoção é a bênção culminante para a qual a justificação abre caminho. O status de adotado pertence a todos os que recebem Cristo (Jo 1.12). Em Cristo e através de Cristo, Deus ama seus filhos adotivos, como ama a seu Filho unigênito, e partilhará com eles a glória que Cristo usufrui agora (Rm 8.17, 38-39). Os crentes estão sob o cuidado e disciplina paternais de Deus (Mt 6.26; Hb 12.5-11). Eles devem orar a Deus que é seu próprio Pai do céu (Mt 6.5-34), expressando desse modo o instinto filial que o Espírito Santo implantou neles (Rm 8.15-17; Gl 4.6). 

Adoção e regeneração constituem duas realidades que permanecem juntas, como dois aspectos da salvação assegurada por Cristo (Jo 1.12-13), porém são realidades que devem ser distinguidas entre si. A adoção resulta num novo relacionamento, enquanto que a regeneração é uma mudança de nossa natureza moral. Contudo, a conexão entre elas é clara. Deus quer que seus filhos, a quem ele ama, tenham o seu caráter e, para isso,  ele toma providências.

Fonte: Bíblia de Estudos de Genebra, Notas Teológicas, página 1394.

A FRUSTRANTE BUSCA DO HOMEM PELA AUTOJUSTIFICAÇÃO


Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Romanos 3:23
Pr. Fabiano Rocha.

Toda busca do homem pela autojustificação é uma clara rejeição à justiça de Deus, que se revela no evangelho. Todo tentativa humana no sentido de procurar ser aceito diante de Deus pelo seus próprios méritos ou tentar justificar-se pela obediência à lei, será frustrada. Quando a Escritura afirma que todos os homens pecaram e foram destituídos da glória de Deus, ela não está transmitindo somente a verdade de que os homens pecaram no passado distante, mas que essa é hoje a realidade que os cerca. O que Palavra de Deus traz é uma descrição categórica do gênero humano em todos os tempos. Os homens pecaram num passado distante, por meio do representante federal da raça humana, mas também continuaram e continuam pecando como fruto de sua condição natural, herdada, caída e depravada. A queda representa uma perda de toda justiça própria, bem como uma total incapacidade em readquiri-la. Há uma impossibilidade residindo em todas as áreas da condição natural humana.

Ninguém busca o bem espiritual, há indisposição para as coisas de Deus. Essa verdade não é extraída de nenhuma ciência social e nem foi elaborada por estudiosos da natureza humana. Esse é o quadro pintado pelo próprio criador. Não obstante, vemos o homem numa busca frenética por apresentar o seu próprio padrão de retidão. Vemos um zelo cego e um falso engano de que a mera conformação a padrões religiosos irá garantir aceitação. Mas muitos se esquecem que a retidão exigida por Deus em seus mandamentos não está traduzida numa conformação externa aos padrões da lei, nem no legalismo exacerbado. “Deus é um legislador espiritual”, como dizia o reformador Calvino. Nesse sentido, a justiça que Deus exige é muito mais do que mudança de vestes, vai muito além de não tocar, não provar e não manusear. Paulo em Romanos capitulo 7 conheceu sua terrível condição diante de um Deus santo, quando viu nos mandamentos uma lei que dizia que ele não deveria cobiçar. O apóstolo viu sua condição miserável, de um homem que não seria aceito com base em sua própria justiça. É como diz o salmista Davi no salmo 51: “Eis que tu ama, Senhor, a verdade no íntimo”.

A vontade divina aponta para todas as direções, atitudes e intenções dos corações humanos. Não somente uma obediência ampla e profunda nos é exigida, mas também total e irrestrita. Não basta buscar justificar-se obedecendo um ponto ou somente a um preceito da lei. É preciso cumprir todos os mandamentos. “Quem tropeça em um só dos mandamentos, se faz culpados de todos”. Logo, obediência não significa conformação legalista. Se esse é então o caminho que tanto agrada o homem, devem eles então saber que não devem jamais tropeçar em nenhum ponto da lei de Deus. Se eles querem apresentar ao criador sua justiça, que não tragam trapos, mas uma obediência completa.

Isso releva que a justiça do Deus eterno não será alcançada pelo esforço humano. O caminho buscado pelo homem é enganoso em todos os sentidos. Ele cega, embota o entendimento e traz a falsa sensação de que Deus está se agradando e estamos seguros. Portanto temos duas questões: Primeiro: os homens jamais podem cumprir a obediência que Deus exige. A segunda questão é que Deus exige retidão. Do ponto de vista puramente humano, só resta uma conclusão: jamais poderemos ser salvos. Jamais conseguiremos levantar-nos desse estado terrível, de desesperança e auto-engano. Mas, como então seremos salvos? Com que justiça seremos aceitos? Certamente não será com aquela procurada pela nossa própria força. Seremos aceitos pela justiça que Deus revelou em Cristo Jesus. Essa nos é concedida pela fé e não pelos méritos. Ela é de Cristo e não nossa

Fabiano Rocha é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Trecho da obra A Divine Cordial (“Um Tônico Divino”), de Thomas Watson,



Trecho da obra A Divine Cordial (“Um Tônico Divino”), de Thomas Watson,
publicada pela primeira vez em 1663.
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“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.” (Romanos 8.28)

Nós vamos considerar, primeiro, quais coisas cooperam para o bem do homem piedoso, e aqui nós vamos mostrar que tanto as melhores coisas quanto as piores coisas cooperam para o seu bem. Nós começamos com as melhores coisas.

1.       Os atributos de Deus cooperam para o bem do homem piedoso.

(I) O poder de Deus coopera para o bem. É um poder glorioso (Cl 1.11, KJA), o qual é empregado para o bem dos eleitos.
O poder de Deus coopera para o bem, nos auxiliando quando estamos em apuros. “Por baixo de ti, estende os braços eternos” (Dt 33.27). O que sustentou Daniel na cova dos leões? Jonas no ventre da baleia? Os três hebreus na fornalha? Apenas o poder de Deus. Não é estranho ver um caniço quebrado crescer e florescer? Como é possível que um fraco cristão seja capaz de não apenas suportar a aflição, mas também se regozijar nela? Ele é sustentado pelos braços do Todo-Poderoso. “O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9).
O poder de Deus coopera para nosso bem ao suprir as nossas necessidades. Deus cria confortos quando os recursos falham. Aquele que através de corvos trouxe comida ao profeta Elias irá trazer o sustento do Seu povo. Deus pode preservar o “azeite na botija” (1Reis 17.14). O Senhor fez o sol retroceder dez graus no relógio de Acaz; assim também, quando os nossos confortos exteriores estão diminuindo, e o sol está quase se pondo, Deus frequentemente provoca um reavivamento, e faz o sol retroceder muitos graus.
O poder de Deus subjuga as nossas corrupções, “Ele pisará aos pés as nossas iniquidades” (Mq 7.19). O seu pecado é forte? Deus é mais poderoso, Ele irá quebrar a cabeça desse leviatã. O seu coração é duro? Deus irá dissolver essa pedra no sangue de Cristo. “O Todo-Poderoso fez meu coração macio” (Jó 23.16, KJV). Quando nós dizemos, como Josafá, “Nós não temos força contra esse grande inimigo”, o Senhor sobe conosco, e nos ajuda a lutar nossas batalhas. Ele corta a cabeça daqueles Golias de concupiscências que são mais forte do que nós.
O poder de Deus derrota os nossos inimigos. Ele mancha o orgulho e frustra os planos dos adversários. “Com vara de ferro os regerá e os despedaçará” (Sl 2.9, ARA). Há ira no inimigo, malícia no diabo, mas poder em Deus. Quão facilmente Ele pode quebrar todas as forças do ímpio! “SENHOR, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco” (2Cr 14.11). O poder de Deus está em favor de Sua igreja. “Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo SENHOR, escudo que te socorre, espada que te dá alteza” (Dt 33.29).
(II) A sabedoria de Deus coopera para o bem. A sabedoria de Deus é nosso oráculo para nos instruir. Assim como Ele é o Deus Forte, é também Conselheiro (Is 9.6). Com frequência, nós estamos no escuro, emaranhados em problemas e com duvidas sobre qual caminho tomar; e é aqui que Deus vem com a luz. “Eu irei guiar-te com meus olhos” (Sl 42.8, KJV). “Olhos”, aqui, denota a sabedoria de Deus. Por que os santos conseguem ver melhor do que os mais argutos políticos? Eles preveem o mal, e se escondem; eles veem os sofismas de Satanás. A sabedoria de Deus é a coluna de fogo que vai adiante deles, e os guia.
(III) A bondade de Deus coopera para o bem do homem piedoso. A bondade de Deus é um meio de nos fazer bons. “A bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.4). A bondade de Deus é um raio de sol espiritual que derrete nossos corações em lágrimas. “Oh”, diz a alma, “não é verdade que Deus tem sido tão bom pra mim? Por tanto tempo Ele tem me tolerado longe do inferno, como poderei entristecer Seu Espírito ainda mais? Irei pecar contra a bondade?”
A bondade de Deus coopera para o bem à medida que elas antecipam todas as bênçãos. Os favores que recebemos são os fluxos de prata que correm vem do manancial da bondade de Deus. Esse atributo divino da bondade traz dois tipos de bênçãos. Bençãos comuns: todos participamos delas, tanto os maus quanto os bons; esse doce orvalho cai sobre o cardo assim como cai sobre a rosa. Bençãos de coroação: dessas, apenas os piedosos participam. “Que nos coroou com benignidade” (Sl 103.4, KJV). Assim, os abençoados atributos de Deus cooperam para o bem dos santos.

Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson
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domingo, 27 de janeiro de 2013

A PREGAÇÃO AOS EXCLUÍDOS

Pr Edson Rosendo
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.1 Cor 6.11

Portinari - Serie Os Retirantes
Jesus pregou o Evangelho a todos, e isto incluía os excluídos. Por causa disso, Ele foi alvo de fortes críticas por parte dos fariseus, que de modo algum admitiam que se pregasse o Evangelho a certas classes, consideradas espúrias e totalmente destituídas da oportunidade de ouvir a Palavra de Deus e participar do culto. Os próprios discípulos estranharam que Jesus estivesse levando o evangelho a uma mulher – e samaritana!

Hoje, a igreja também enfrenta esse preconceito, na prática. Embora se diga em 100% dos púlpitos que o Evangelho é para todos e deve ser pregado a todos (entendendo-se "todos" como todas as classes também), a maioria das igrejas não cumpre essa tarefa para com os excluídos, que continuam à margem de receberem os emissários do Senhor para lhes pregar a Palavra. Raramente se sabe de crentes que pregam às prostitutas, aos ladrões, aos assassinos, aos homossexuais, só para citar algumas classes. Raramente se sabe de igrejas opulentas que pregam o Evangelho aos pobres da favela próxima ao templo. Sabe-se até de igrejas que se atiraram a essa tarefa, porém, quando os pobres da favela começaram a frequentar o culto e a receber Jesus como Salvador, tal igreja se apressou e instituiu outro horário de culto para esses "novos membros", alegando superlotação dos cultos existentes, porém, ficando evidente que o motivo era para evitar a "mistura".

Mas a Escritura não admite essa segregação. O apóstolo afirmou que na igreja de Corinto havia membros que outrora foram ladrões, homossexuais, sodomitas, impuros, mas agora não eram mais, pois experimentaram o arrependimento. Dessa forma, o Evangelho não somente deve ser pregado às classes excluídas, mas àqueles que forem se convertendo, os arrependidos. Devem ser admitidos à comunhão da igreja, pela profissão de fé e pelo batismo, pois são nova criatura e nenhum olhar de diferença deve ser praticado pela igreja para com esses que um dia viveram em pecados horríveis, mas agora vivem em santidade. A suma é que, sendo odiosos ou não os pecados em que todos vivemos outrora, todos fomos lavados, e purificados e vivemos em santidade diante de Deus e diante dos homens.

Edson   Rosendo é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada de Caruaru - PE

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ: O CORAÇÃO DO EVANGELHO


Alderi Souza de Matos

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.Não vem das obras, para que ninguém se glorie  Efésios 2:8-9

“A justificação é a resposta de Deus à mais importante de todas as questões humanas: Como uma pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo Testamento, especialmente nos escritos de Paulo, como a passagem clássica de Romanos 3.21-25. Biblicamente, a justificação é um conceito jurídico ou forense, e tem o significado de “declarar justo”. É o ato de Deus mediante o qual ele, em sua graça, declara justo o pecador, isentando-o de qualquer condenação. Infelizmente, a palavra portuguesa “justificação”, originária do latim, dá a idéia de “tornar justo”, no sentido de produzir justiça no justificado. Mas o termo grego original não se refere a uma mudança intrínseca no indivíduo, e sim a uma declaração feita por Deus. Visto que não temos justiça própria e somos culpados diante de Deus, ele nos declara justos com base na expiação de nossos pecados por Cristo e na sua justiça imputada a nós. Assim, a fonte da justificação é a graça de Deus, o fundamento da justificação é a obra de Cristo e o meio da justificação é a fé. A fé é o canal através do qual a justificação é concedida ao pecador que crê; é o meio pelo qual ele toma posse das bênçãos obtidas por Cristo (como a paz com Deus, Rm 5.1). Ela não é uma boa obra, mas um dom de Deus, como Paulo ensina em Efésios 2.8-9. É o único meio de receber o que Deus fez por nós (“sola fides”), ficando excluídos todos os outros atos ou obras.

Isto significa que a justiça do crente é somente uma justiça imputada, atribuída a ele, sem incluir uma transformação moral e espiritual? Não, a justificação é seguida de uma justiça real e efetiva – tão de perto que, se não seguir, a pessoa não está justificada. Mas a justificação em si ainda não se refere a essa mudança. Deus nunca nos torna justos antes de nos declarar justos. Estando justificados pela graça e reconciliados com Deus mediante a fé, com base somente nos méritos de Cristo, estamos capacitados para crescer em santificação (Ef 2.10). Em suma, Deus não somente nos declara justos (justificação), mas posteriormente nos torna justos (santificação).

Tristemente, muitos evangélicos têm deixado de confessar de modo convicto essa verdade que está no coração do evangelho. Muitos líderes e movimentos têm voltado a insistir na prática de certas ações ou na exibição de determinadas virtudes como condição para que as pessoas sejam aceitas, perdoadas e abençoadas por Deus. Volta-se, assim, ao sistema de salvação pelas obras ou pelos méritos humanos contra o qual se insurgiram os reformadores. Com isso exalta-se o ser humano, suas escolhas, decisões e iniciativas, e se desvaloriza a Deus, sua graça, sua soberania, sua obra de expiação por meio de Cristo. Tenhamos a coragem e a coerência bíblica de reafirmar a verdade solene da justificação pela fé somente, que é, no dizer dos reformadores, o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai.”

Justificação pela fé: o coração do evangelho. Artigo de Alderi Souza
de Matos, disponível em http://www.mackenzie.br/7136.html.