MEDITANDO NO TRABALHO MISSIONARIO

Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Isaías 6:8

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Trecho da obra A Divine Cordial (“Um Tônico Divino”), de Thomas Watson,



Trecho da obra A Divine Cordial (“Um Tônico Divino”), de Thomas Watson,
publicada pela primeira vez em 1663.
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“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.” (Romanos 8.28)

Nós vamos considerar, primeiro, quais coisas cooperam para o bem do homem piedoso, e aqui nós vamos mostrar que tanto as melhores coisas quanto as piores coisas cooperam para o seu bem. Nós começamos com as melhores coisas.

1.       Os atributos de Deus cooperam para o bem do homem piedoso.

(I) O poder de Deus coopera para o bem. É um poder glorioso (Cl 1.11, KJA), o qual é empregado para o bem dos eleitos.
O poder de Deus coopera para o bem, nos auxiliando quando estamos em apuros. “Por baixo de ti, estende os braços eternos” (Dt 33.27). O que sustentou Daniel na cova dos leões? Jonas no ventre da baleia? Os três hebreus na fornalha? Apenas o poder de Deus. Não é estranho ver um caniço quebrado crescer e florescer? Como é possível que um fraco cristão seja capaz de não apenas suportar a aflição, mas também se regozijar nela? Ele é sustentado pelos braços do Todo-Poderoso. “O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9).
O poder de Deus coopera para nosso bem ao suprir as nossas necessidades. Deus cria confortos quando os recursos falham. Aquele que através de corvos trouxe comida ao profeta Elias irá trazer o sustento do Seu povo. Deus pode preservar o “azeite na botija” (1Reis 17.14). O Senhor fez o sol retroceder dez graus no relógio de Acaz; assim também, quando os nossos confortos exteriores estão diminuindo, e o sol está quase se pondo, Deus frequentemente provoca um reavivamento, e faz o sol retroceder muitos graus.
O poder de Deus subjuga as nossas corrupções, “Ele pisará aos pés as nossas iniquidades” (Mq 7.19). O seu pecado é forte? Deus é mais poderoso, Ele irá quebrar a cabeça desse leviatã. O seu coração é duro? Deus irá dissolver essa pedra no sangue de Cristo. “O Todo-Poderoso fez meu coração macio” (Jó 23.16, KJV). Quando nós dizemos, como Josafá, “Nós não temos força contra esse grande inimigo”, o Senhor sobe conosco, e nos ajuda a lutar nossas batalhas. Ele corta a cabeça daqueles Golias de concupiscências que são mais forte do que nós.
O poder de Deus derrota os nossos inimigos. Ele mancha o orgulho e frustra os planos dos adversários. “Com vara de ferro os regerá e os despedaçará” (Sl 2.9, ARA). Há ira no inimigo, malícia no diabo, mas poder em Deus. Quão facilmente Ele pode quebrar todas as forças do ímpio! “SENHOR, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco” (2Cr 14.11). O poder de Deus está em favor de Sua igreja. “Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo SENHOR, escudo que te socorre, espada que te dá alteza” (Dt 33.29).
(II) A sabedoria de Deus coopera para o bem. A sabedoria de Deus é nosso oráculo para nos instruir. Assim como Ele é o Deus Forte, é também Conselheiro (Is 9.6). Com frequência, nós estamos no escuro, emaranhados em problemas e com duvidas sobre qual caminho tomar; e é aqui que Deus vem com a luz. “Eu irei guiar-te com meus olhos” (Sl 42.8, KJV). “Olhos”, aqui, denota a sabedoria de Deus. Por que os santos conseguem ver melhor do que os mais argutos políticos? Eles preveem o mal, e se escondem; eles veem os sofismas de Satanás. A sabedoria de Deus é a coluna de fogo que vai adiante deles, e os guia.
(III) A bondade de Deus coopera para o bem do homem piedoso. A bondade de Deus é um meio de nos fazer bons. “A bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.4). A bondade de Deus é um raio de sol espiritual que derrete nossos corações em lágrimas. “Oh”, diz a alma, “não é verdade que Deus tem sido tão bom pra mim? Por tanto tempo Ele tem me tolerado longe do inferno, como poderei entristecer Seu Espírito ainda mais? Irei pecar contra a bondade?”
A bondade de Deus coopera para o bem à medida que elas antecipam todas as bênçãos. Os favores que recebemos são os fluxos de prata que correm vem do manancial da bondade de Deus. Esse atributo divino da bondade traz dois tipos de bênçãos. Bençãos comuns: todos participamos delas, tanto os maus quanto os bons; esse doce orvalho cai sobre o cardo assim como cai sobre a rosa. Bençãos de coroação: dessas, apenas os piedosos participam. “Que nos coroou com benignidade” (Sl 103.4, KJV). Assim, os abençoados atributos de Deus cooperam para o bem dos santos.

Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson
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domingo, 27 de janeiro de 2013

A PREGAÇÃO AOS EXCLUÍDOS

Pr Edson Rosendo
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.1 Cor 6.11

Portinari - Serie Os Retirantes
Jesus pregou o Evangelho a todos, e isto incluía os excluídos. Por causa disso, Ele foi alvo de fortes críticas por parte dos fariseus, que de modo algum admitiam que se pregasse o Evangelho a certas classes, consideradas espúrias e totalmente destituídas da oportunidade de ouvir a Palavra de Deus e participar do culto. Os próprios discípulos estranharam que Jesus estivesse levando o evangelho a uma mulher – e samaritana!

Hoje, a igreja também enfrenta esse preconceito, na prática. Embora se diga em 100% dos púlpitos que o Evangelho é para todos e deve ser pregado a todos (entendendo-se "todos" como todas as classes também), a maioria das igrejas não cumpre essa tarefa para com os excluídos, que continuam à margem de receberem os emissários do Senhor para lhes pregar a Palavra. Raramente se sabe de crentes que pregam às prostitutas, aos ladrões, aos assassinos, aos homossexuais, só para citar algumas classes. Raramente se sabe de igrejas opulentas que pregam o Evangelho aos pobres da favela próxima ao templo. Sabe-se até de igrejas que se atiraram a essa tarefa, porém, quando os pobres da favela começaram a frequentar o culto e a receber Jesus como Salvador, tal igreja se apressou e instituiu outro horário de culto para esses "novos membros", alegando superlotação dos cultos existentes, porém, ficando evidente que o motivo era para evitar a "mistura".

Mas a Escritura não admite essa segregação. O apóstolo afirmou que na igreja de Corinto havia membros que outrora foram ladrões, homossexuais, sodomitas, impuros, mas agora não eram mais, pois experimentaram o arrependimento. Dessa forma, o Evangelho não somente deve ser pregado às classes excluídas, mas àqueles que forem se convertendo, os arrependidos. Devem ser admitidos à comunhão da igreja, pela profissão de fé e pelo batismo, pois são nova criatura e nenhum olhar de diferença deve ser praticado pela igreja para com esses que um dia viveram em pecados horríveis, mas agora vivem em santidade. A suma é que, sendo odiosos ou não os pecados em que todos vivemos outrora, todos fomos lavados, e purificados e vivemos em santidade diante de Deus e diante dos homens.

Edson   Rosendo é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada de Caruaru - PE

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ: O CORAÇÃO DO EVANGELHO


Alderi Souza de Matos

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.Não vem das obras, para que ninguém se glorie  Efésios 2:8-9

“A justificação é a resposta de Deus à mais importante de todas as questões humanas: Como uma pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo Testamento, especialmente nos escritos de Paulo, como a passagem clássica de Romanos 3.21-25. Biblicamente, a justificação é um conceito jurídico ou forense, e tem o significado de “declarar justo”. É o ato de Deus mediante o qual ele, em sua graça, declara justo o pecador, isentando-o de qualquer condenação. Infelizmente, a palavra portuguesa “justificação”, originária do latim, dá a idéia de “tornar justo”, no sentido de produzir justiça no justificado. Mas o termo grego original não se refere a uma mudança intrínseca no indivíduo, e sim a uma declaração feita por Deus. Visto que não temos justiça própria e somos culpados diante de Deus, ele nos declara justos com base na expiação de nossos pecados por Cristo e na sua justiça imputada a nós. Assim, a fonte da justificação é a graça de Deus, o fundamento da justificação é a obra de Cristo e o meio da justificação é a fé. A fé é o canal através do qual a justificação é concedida ao pecador que crê; é o meio pelo qual ele toma posse das bênçãos obtidas por Cristo (como a paz com Deus, Rm 5.1). Ela não é uma boa obra, mas um dom de Deus, como Paulo ensina em Efésios 2.8-9. É o único meio de receber o que Deus fez por nós (“sola fides”), ficando excluídos todos os outros atos ou obras.

Isto significa que a justiça do crente é somente uma justiça imputada, atribuída a ele, sem incluir uma transformação moral e espiritual? Não, a justificação é seguida de uma justiça real e efetiva – tão de perto que, se não seguir, a pessoa não está justificada. Mas a justificação em si ainda não se refere a essa mudança. Deus nunca nos torna justos antes de nos declarar justos. Estando justificados pela graça e reconciliados com Deus mediante a fé, com base somente nos méritos de Cristo, estamos capacitados para crescer em santificação (Ef 2.10). Em suma, Deus não somente nos declara justos (justificação), mas posteriormente nos torna justos (santificação).

Tristemente, muitos evangélicos têm deixado de confessar de modo convicto essa verdade que está no coração do evangelho. Muitos líderes e movimentos têm voltado a insistir na prática de certas ações ou na exibição de determinadas virtudes como condição para que as pessoas sejam aceitas, perdoadas e abençoadas por Deus. Volta-se, assim, ao sistema de salvação pelas obras ou pelos méritos humanos contra o qual se insurgiram os reformadores. Com isso exalta-se o ser humano, suas escolhas, decisões e iniciativas, e se desvaloriza a Deus, sua graça, sua soberania, sua obra de expiação por meio de Cristo. Tenhamos a coragem e a coerência bíblica de reafirmar a verdade solene da justificação pela fé somente, que é, no dizer dos reformadores, o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai.”

Justificação pela fé: o coração do evangelho. Artigo de Alderi Souza
de Matos, disponível em http://www.mackenzie.br/7136.html.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A INQUESTIONÁVEL SOBERANIA DE DEUS SOBRE SUAS CRIATURAS (RM 9)



Sl 45:9: “ai daquele que contende com o seu criador. Por acaso o barro pode dizer ao oleiro: o que você está fazendo?”.
Pr. Fabiano Rocha

A vontade de Deus revela de forma muito clara o seu caráter bem como seu atributo de autodeterminação mediante o qual Ele age de acordo com o seu eterno poder. A dimensão da vontade divina revelada em sua Palavra permite-nos reconhecer que ninguém além de Deus é o fundamento de toda a existência e de tudo o que acontece. Tudo o que se desenrola no palco da história é fruto da determinação divina. Sua vontade é soberana e livre. Seu propósito é todo abarcador, não ficando nenhum aspecto de fora. Isso se estende até mesmo à entrada do pecado no mundo, visto que até a transgressão do homem atenderá de forma perfeita ao Seu propósito eterno. A sua graça será exaltada na salvação do santos, bem como sua justiça será vindicada na condenação dos reprovados. Ninguém pode resistir à vontade de Deus, que tudo faz segundo o seu próprio conselho.

Ele tornou-se conhecido como Aquele que tem um plano soberano, cuja vontade jamais será frustrada. Seu propósito é imutável e jamais pode estar condicionado ou sujeito a qualquer coisa que esteja fora dele mesmo. A finalidade é declaradamente sua própria glória, ou seja, a manifestação da sua própria grandeza. Não há outra maneira de interpretarmos a criação ou a história se não colocarmos Deus como a causa primeira de todas as coisas. Tudo o mais é secundário. Toda a criação está a serviço dele e não Ele a serviço e capricho de sua criação. Há uma imagem muito elucidativa na Escritura que expressa muito bem essa relação de Deus com suas criaturas: a figura do oleiro e do barro. A imagem descreve Deus como o grande oleiro e suas criaturas como o barro. É Ele que modela o barro conforme a sua própria vontade e propósito. Sendo assim, Ele tem o direito sobre a sua criação. Paulo utiliza essa figura em Rm 9:20, através da pergunta: “Quem és tu o homem?”. A Escritura nos questiona no sentido de pensarmos sobre quem somos e que relação existe entre nós e Deus, através dessa ilustração.

A figura do oleiro pode até não ser muito comum para nós nos dias de hoje. Alguém pode jamais ter visto a imagem de um homem sentado diante de uma roda, trabalhando com o barro e fazendo vasos de várias espécies, para diferentes finalidades. Mas nos tempos antigos, na Palestina, essa era uma figura bastante presente. A interpretação dessa ilustração nos mostra que jamais podemos inverter as coisas, colocando o oleiro no lugar do barro, ou como fazendo como diz no Sl 45:9: “ai daquele que contende com o seu criador. Por acaso o barro pode dizer ao oleiro: o que você está fazendo?”. Quem pode questionar com arrogância os feitos de Deus? Porém, embora seja a figura muito viva e explicativa, sua interpretação reserva cuidados. Não devemos absolutizar à ilustração em detrimento da realidade. O que se quer ensinar é a distância, a disparidade que existe entre Deus e suas criaturas. Mas jamais negar que os homens são seres morais e responsáveis diante de Deus. O Senhor é soberano, tem um plano infalível que engloba todas as coisas, até mesmo o destino eterno dos homens. Ele, como oleiro, tem poder para de uma mesma massa fazer vasos para destinação honrosa e outros para destinação desonrosa, mas de nenhum modo Ele isentou os homens de suas responsabilidades para com sua vontade revelada. Deus tem poder para agir como quer sobre toda a massa caída , exercendo misericórdia sobre alguns e ira sobre outros, compadecendo-se de alguns e endurecendo outros. Mas devemos reconhecer e estar bem conscientes de que somos totalmente responsáveis diante Dele.
Fabiano Rocha é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada de Taguatinga - DF.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A IMPORTÂNCIA DA CONFESSIONALIDADE

 Ricardo Mendes


Na igreja local, subscrevemos a Confissão de Fé Batista de 1689 por entendermos o valor da confessionalidade para uma igreja. Primeiro, porque a confissão de fé reflete a Escritura e as doutrinas dos apóstolos, as quais devemos aprender, amar e defender como cristãos. A confissão não pode se em nada diferente da Escritura ou a ela nada acrescentar. Mas ela é um guia sistemático e pormenorizado das principais doutrinas bíblicas, que nos ajuda a compreender melhor as verdades da Escritura. 

Em segundo lugar, a confissão de fé é um documento histórico que representa a visão bíblica dos irmãos do passado, que se preocuparam em preservar a interpretação correta das sãs doutrinas bíblicas, a fim de preservar a igreja contra os erros perniciosos que sempre tentaram se infiltrar na igreja (vide as epístolas paulinas). Assim, a confissão representa uma blindagem contra as heresias condenáveis que circulam em nosso meio desde a fundação da igreja e, mormente, em nosso tempo, onde vemos o crescimento de tantas igrejas que desprezam as verdades bíblicas.

Por fim, a confissão de fé nos permite ter unidade em torno da mensagem bíblica central – Cristo e a salvação – bem como a respeito de doutrinas secundárias mas importantes para a manutenção da fé genuína. Cremos que as doutrinas sistematizadas na CFB 1689 são aquelas contidas na Escritura e organizadas de maneira didática para melhor compreensão e para facilitar o estudo sistemático na igreja, principalmente nas escolas bíblicas. Mas ela também é um guia pessoal para qualquer cristão, mesmo o mais simples, pois foge da linguagem rebuscada e teológica das teologias sistemáticas. Ressaltamos que a  confissão não substitui a leitura diária, devocional e sistemática da Bíblia como única regra de fé e prática para o cristão e como meio de graça para o desenvolvimento espiritual. Na igreja local, estamos estudando a CFB 1689 desde o ano de 2006, tendo passado por ela pela quarta vez e continuamos nesse estudo, que fica sempre mais interessante e aprofundado. Atualmente, estamos estudando o capítulo 11, sobre a justificação pela fé somente. Essas séries de estudos tem sido edificantes para a igreja, firmando-a cada vez mais na fé dos Apóstolos.

Ricardo Mendes - Primeira Igreja Batista de Taguatinga - DF

ELEIÇÃO: UM ATO SOBERANO DE DEUS



* Pr Fabiano Rocha

A eleição incondicional diz respeito à escolha de Deus feita antes da fundação do mundo, no nível do decreto de Deus, na qual ele escolhe salvar alguns dos que se perderiam, não tendo como fundamento nem méritos ou condição alguma favorável nas pessoas escolhidas. Foi uma decisão segundo o beneplácito de sua própria vontade. A fonte dessa escolha foi o infinito amor de Deus. Os discursos de Moisés no Velho Testamento, especificamente no livro de Deuteronômio, mostram de forma nítida essa verdade, que foi se descortinando de forma progressiva em toda a Escritura. Os pronunciamentos de Moisés ressaltam que Israel não teve nenhum mérito em ter sido chamado por Javé para ser o seu povo. Israel era na realidade o contrário daquilo que poderia servir de parâmetro para uma escolha com base nas qualidades do escolhido. Não era a nação mais numerosa, nem era justa, porém era débil, pequena e fraca. Mas o amor de Deus por eles foi espontâneo e gratuito, exercido apesar do demérito. Deus não somente escolheu indivíduos para tarefas especificas como também escolheu indivíduos para a salvação eterna. E isso Ele foi mostrando em toda a sua Palavra, através da escolha de um homem, através da escolha de uma nação, tudo isso apontando para uma escolha maior, que era a formação de sua igreja, do novo Israel que se formou em Cristo Jesus, através de indivíduos de toda a tribo, língua, povo e raça, que culminou em sua igreja.

Embora o homem caído e mesmo muitos cristãos professos neguem a eleição, com o falso argumento de que Deus seria injusto se assim procedesse, essa verdade jamais pode ser negada pelo simples fato de que em todas as páginas da Escritura a encontramos. E outra razão é que jamais a Bíblia nos concede brecha ou nos possibilita questionarmos os feitos e as prerrogativas do Criador, em fazer vasos para misericórdia e vasos para a ira. A Bíblia revela que Deus amou Jacó e odiou Esaú. Há porventura injustiça no Senhor por isso? Muitas pessoas até aceitam com certa naturalidade algumas doutrinas da Escritura, mas quando ouvem acerca da verdade de que Deus escolheu um povo para a salvação logo ficam coléricos. Spurgeon disse: "Parece haver um preconceito arraigado na mente humana contra esta doutrina, e embora a maioria das outras doutrinas seja recebida por crentes professos, algumas com cuidado, outras com prazer, esta parece ser mais comumente negligenciada e rejeitada".

Mas sabemos por essa doutrina que a salvação não é o pagamento de uma divida. Não é um coroamento após vencermos uma competição. Muito menos é o resultado automático de um privilégio concedido a quem nasce judeu ou quem é descendente físico de Abraão. A salvação é uma escolha graciosa, um ato de favor a quem não merece, gratuitamente demonstrado para com os membros de uma raça caída. O fato de haver escolha de alguns já é em si uma manifestação da misericórdia divina e não de injustiça. È por essa razão que essa verdade glorifica a graça gloriosa de Deus e, sobretudo, ressalta o demérito humano. Os homens em sua rebeldia contra Deus podem ranger os dentes, mas isso não mudará a verdade de que ao Senhor pertence a salvação. A decisão de resgatar e a quem resgatar pertence a Ele. O Senhor terá misericórdia de quem Ele quiser ter misericórdia, repetia o apóstolo Paulo
(Rm 9:15). Quem somos nós para contender com o oleiro? Essa escolha é um ato da soberania de Deus.
*Fabiano Rocha é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada e Taguatinga - DF

O Evangelho é a religião da porta estreita



Pr Edson Rosendo

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” Mt 7: 13- 14.

A cada dia que passa, o mundo trabalha para ter conforto. Tudo concorre para o entretenimento, para a facilidade, para o bem-estar, para a praticidade, para a funcionalidade. Empresas, técnicos, inventores, todos trabalham para prover novas formas de facilitar a vida do homem, desenvolver novas idéias que tragam ao homem o mínimo de esforço para o dia-a-dia. As ciências, as artes, a filosofia, todas concorrem conjuntamente para valorizar o homem, seu ego, seus status quo. Nada que o fira, que o desagrade, que o diminua, que o acuse, que o constranja deve ser praticado, mas deve ser evitado decididamente, sob risco de grandes perdas, inclusive judiciais. Em suma, podemos dizer que o mundo provê para o homem a porta larga, confortável, a fim de não o desgostar em nada.

É nesse contexto que entram os pregadores do Evangelho, anunciando uma mensagem de quatro mil anos, reforçada há dois mil anos por Jesus, dizendo aos homens que a porta pela qual devem passar é a porta estreita. Ora, a porta estreita é a porta do desconforto, a porta do constrangimento para o ego, a porta da renúncia dos prazeres que desagradam a Deus. A porta estreita é a porta dos acusados pelo pecado, dos quebrantados pela culpa, dos depressivos pela perda da importância pessoal. A porta estreita é a porta da quebra dos valores do mundo, da assunção de outros valores, difíceis valores, mas valores aprovados por Deus. Só passam pela porta estreita aqueles que receberam a pregação da total inabilidade humana para a salvação, da completa inutilidade das boas obras pessoais, de justiça própria, como meritórias para a justificação diante de Deus. A porta estreita é aquela em que só passam aqueles que se arrastam com a boca no pó, em grande humilhação, em choro, em clamor, em desespero por seus pecados. A porta estreita é a porta do desconforto do ego, do eu, mas é a porta que dá para a vida eterna, para a eternidade na companhia de Deus.

Outra porta não conduz à luz, pois somente Jesus é a porta que conduz à vida eterna. Ou os seus ensinamentos são cridos e vividos pelo homem ou, do contrário, este só passará pela porta larga, aquela que conduz para a perdição. E são muitos os que entram por ela.

*Edson Rosendo é pastor da Primeira Igreja Batista Reformada de Caruaru - PE